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  • Sabor de chuva


    "Josielma Ramos"

    Eu tinha planos para essa noite,
    Eu ia ficar em casa fingindo que não existo,
    Assim como tenho feito todos esses dias,
    Mas como tudo em você me chama,
    Eu não resisti,
    Me vesti,
    E fui...
    Você me faz existir!

    Chovia, mas eu tinha que te ver,
    Meu corpo chamava por você,
    Tenho sonhado e me revirado na cama,
    Tenho tentado disfarçar,
    Venho mentindo para todos,
    Fingindo que não sinto,
    E eu sinto,
    Demais esse amor.

    Esse amor que aflora,
    Que me invade e toma conta,
    Esse amor que extrapola,
    E foge, explode,
    Esse sentimento que pensei estar morto,
    Que pensei não existir mais,
    Que não sentiria nunca mais.

    Está vivo,
    E como está,
    Esse sentimento não quer se apagar,
    Incendeia,
    Eu te quero todo para mim,
    E por isso eu fui.

    Cheia de desejo por esses olhos negros,
    Cheia de fogo,
    O frio era só na pele,
    Pois por dentro eu ardia,
    Queimava,
    Eu te queria.

    Eu fui,
    E ao te encontrar o tempo parou,
    Para nos contemplar,
    Meu frio cessou,
    E seu beijo me esquentou,
    Beijo com sabor de chuva,
    Com sabor de desejo,
    Quero para sempre te beijar,
    E jamais desse sonho despertar.

    Segregação

    Imagem: We heart it
    "Josielma Ramos"

    Era vergonhoso ser negra,
    Era humilhante nascer negra,
    Apontavam e julgavam,
    Ainda criança a ofendiam,
    Olhavam esquisito,
    De canto de olho,
    Olhavam torto,
    Será que vai me roubar?
    A vida inteira repelida,
    Impedida de lutar,
    Teve que se casar,
    Casar com um branco para seus filhos não passarem pela mesma humilhação,
    Para a cor se misturar,
    E assim por diante ate a negritude sumir nos traços de seus netos e bisnetos,
    Mas casar-se com um branco?
    Isso é, se o branco lhe quiser,
    Sim porque as vezes o máximo que quer é a negra na sua cama,
    De pernas abertas,
    E boca fechada,
    Aberta só se for pra gemer,
    Mesmo que não seja de prazer,
    Fetiche do branco,
    Tesão do branco,
    Quer a neguinha pra lhe chupar,
    Pra sentar e lhe fazer gozar,
    E pobre da neguinha se reclamar,
    Tem é que agradecer,
    Por um cara branco lhe querer,
    Por ele querer trepar com você,
    Agradeça o favor.
    Era vergonhoso ser negra,
    Mas ainda é humilhante ser negra!
    Depender da pena dos outros?
    Isso eu não aceito não,
    Vergonhoso?
    Vergonha tenho de ter nascido em um mundo que ainda nos segrega,
    Nos chicoteia,
    Nos ofende,
    E nos mata,
    Não é vergonhoso ser negra,
    Se essa é a minha cor,
    A cor que a deusa me deu,
    A raça que ela escolheu,
    Não é vergonhoso ser negra,
    Vergonhoso é ser humano.

    Três Marias


    "Josielma Ramos"

    Três irmãs,
    Sem sorte no amor,
    Marias?
    Eram de dor,
    Do desamor,
    Do desfavor.

    Amavam demais,
    Sofriam demais,
    Se entregavam demais,
    E nessa de se dedicar demais,
    Se machucavam demais.

    Marias de dores,
    Filhas dos desencontros,
    Da ilusão,
    E Decepção.

    Maria morreu,
    Com uma rosa na mão,
    Um poema nos lábios,
    Sem amor no coração,
    Marias de dores,
    Três Marias sem amores.

    Essa Mulher


    "Josielma Ramos"

    Essa mulher já não é menina,
    Essa mulher perdeu toda inocência,
    Essa mulher esconde segredos,
    Essa mulher cansou de esconder desejos,
    Essa mulher tão jovem ainda,
    Essa mulher da pele preta,
    Essa mulher quer liberdade,
    Essa mulher quer igualdade. 

    Sem paciência pro seu blá, blá,blá...

    Créditos na imagem.
    Hoje acordei inspirada para escrever um texto daqueles sobre qualquer coisa fofa ou bonitinha, mas ai desanimei, é difícil escrever sobre qualquer assunto quando bate aquela Bad, desanimada com as pessoas ao meu redor, sociedade e afins, desanimada com a qualidade das conversas, com assuntos vazios e sem nexo, pessoas vazias...desanimada em saber que as pessoas se importam mais com o que a outra veste, onde frequenta e quanto ela gasta, do que o que ela fez para chegar ali, seu percurso, sua luta.
    Estou cansada de em rodinhas sorrir entre amigos sorrir e fingir que acho graça de suas piadas, quando na verdade o que eu mais quero é dar um soco na cara de cada um deles, pois estou cansada de ter que aturar piadas machistas, preconceituosas, ou homofóbicas, estou cansada de explicar que meu cabelo não é ruim e que eu não sou mulata ou morena e sim negra, estou cansada, cansada, cansada... 
    Chega um ponto em nossa vida que começamos a pesar nossas escolhas, se estamos no local certo na hora certa, estou passando por uma transição, sinto que tudo e todos são chatos demais, são poucas pessoas de conteúdo que se salvam dessa longa lista de superficialidade, são raras pessoas que conseguem me fazer sorrir, mas um sorriso verdadeiro, tirar de mim uma risada gostosa e sincera, tão poucas que dá pra contar nos dedos de apenas uma mão.
    E assim vou tentando sobreviver em um mundo superficial construído com aparências, tentando me desvencilhar do oportunismo e das mágoas que isso traz, acredito que não sou a única a pensar ou se sentir assim, acredito não estar sozinha se bem que as vezes estar sozinha seja um caminho mais sincero para encontrar alegria ou paz. 


     
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