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  • Onde mora o coração!

    Baixa da Figueira, 
    Piador,
    Bica.

    São os nomes dos lugares onde vivi minha pré infância,
    Lugares que eu nem saberia que existiam se meus pais não me tivessem falado,
    Os lugares de onde fui separada quando ainda nem tinha idade para entender onde mora o coração,
    E o meu está nesses lugares,
    É tão bom estar de volta, revendo velhos amigos, 
    Parentes há muito esquecidos,
    Meus avôs ainda vivos e os túmulos dos que já partiram,
    Um lugar tão bom de morar, queria fugir pra cá,
    Mas a parte triste dessa história é que me mudar pra cá não dá,
    Meu coração vive no Piauí mais em São Paulo plantei minha raiz,
    Tantas coisas inacabadas,
    tantos planos ainda pela metade,
    As vezes me dá uma vontade de largar tudo lá,
    Só pra aqui com minha avó estar.

    Da minha Janela eu via a Baixa da Figueira, acordar e ver um lugar
    tão grande assim e pensar que naquele momento aquela vista inteira
    é só pra você.
    Escrevi esse pequeno texto quando fui visitar minha avó no Piauí, tinha até me esquecido dele, hoje eu estava olhando alguns blocos de anotações e encontrei ele, ainda está imperfeito e rústico, mais ainda assim me deu uma vontade de postar, falar das minhas raízes nordestinas sempre me dá uma sensação de liberdade, espero que gostem do texto.

    A vida que não tive!

    A imagem está ruim porque a foto é antiga e é foto da
    foto,o garoto na foto é meu pai aos 10 anos e a mulher
     é minha Avó Mariquinha, que faleceu ano passado,
    minha mãe dizque ela adotava as crianças e a
    Vó Edite é quem tinha o trabalhode cuidar rsrss.
    Algum tempo atrás, bem antes da minha avó morrer escrevi um poema sobre rever a cidade que eu nasci, fazia 13 anos que eu não ia lá, sendo que só fui duas vezes na minha vida umas aos 4 anos de idade e outra aos 11, e agora uma terceira é claro por que finalmente pude ir este ano, mais infelizmente a única coisa que pude ver da minha avó foi seu túmulo, para entenderem um pouco meu pai é filho adotivo, os pais dele morreram quando ele ainda era criança quando tinha uns 10 anos, então três irmãs que nunca se casaram o adotaram, a mais velha se chamava Júlia, a chamávamos de Vó Julinha, faleceu quando eu tinha 4 anos, a segunda se chamava Maria Adelaide, chamávamos de Vó Mariquinha, essa é a que faleceu ano passado e ainda nos resta a Vó Edite não sei por quanto tempo mais espero que seja por muito, não escondo de ninguém que ela é minha avó favorita, assim como ela também não esconde das minhas irmãs que sou a neta favorita dela, não é sendo convencida, mais cresci com ela falando isso rsrss, mais a verdade é que eu amava todas as três mães do meu pai,  ao todo elas criaram 6 crianças, mais não todas ao mesmo tempo tanto que a mais nova tem por volta de 17 anos e uma de 20 mora com ela ainda , meu pai já tem mais de 50, e ela ainda ajuda essa de 20 a criar o filho de 10 meses, creio que o amor por criar filhos que não são seus a torna forte apesar de ser uma senhora pequena de 39 kilos apenas, que acorda as 5 horas da manhã todos os dias no calor forte do Piauí para buscar água e cuidar das criações de cabras, que faz todos os serviços de casa com um sorriso no rosto e que faz aquela comidinha caseira que eu sentia tanta falta, matei a minha saudade de revê-la e rever a cidade em que nasci.
    Quando ao titulo desde post "A vida que não tive", eu me refiro ao fato de até meus 1 ano e 10 meses a Vó Edite ter cuidado de mim, e quando meus pais vieram para São Paulo construir uma vida melhor me trouxeram junto com eles, não estou reclamando, meus pais me deram uma base pra vida, me deram tudo que não poderiam dar se ainda morassem lá, a maioria das garotas lá se casam aos 14 anos, por ser bem interior não se tem muitas oportunidades de trabalho que não sejam na cidade e são poucos os que se formam, minha mãe e meu pai deram a mim e minhas irmãs mais do que podemos agradecer, mas eu ainda imagino sobre a vida que não tive, como seria se eu ainda estivesse lá, estaria casada e com muitos filhos, ou me apegaria apenas a cuidar da minha avó que tanto fez por tantos? isso nunca vou saber mais eu posso dizer que me sinto feliz, completa e super sortuda por ter tido 7 avós ao todo.
    Aqui ela me levou para visitar a antiga casa dela, a casa que eu conheci quando tinha 11 anos,
    agora só resta os escombros, mais mesmo assim deu pra matar a saudade, as árvores continuam
    do mesmo jeito.
    Ela amamentando um cabritinho que não conseguia mamar na mãe, infelizmente ele
    morreu no dia seguinte, minha avó disse que já sabia que ele ia morrer, ela me disse:
    _Eu os alimento antes de morrer por que não quero que morram de barriga vazia!
    Vó Edite
    Vó Edite entre os túmulos de suas irmãs, no nordeste é a coisa mais comum tirar foto de pessoas mortas ou ao lado dos túmulos, á esquerda túmulo da Vó Mariquinha e á direita túmulo da Vó Julinha.
    Vó Edite segurando seu bisneto Breno, ela criou a Vó dele, a Mãe e agora ele.
    Para relembrar o poema que eu escrevi vou deixar ele aqui:

    SAUDADES

     "Josielma Ramos"

    Simplício Mendes,
    Será que um dia voltarei a te ver?
    Terra onde nasci,
    E onde tão pouco pisei.

    Será que ainda subirei em uma arvore de cajá?
    No meio do mato
    Em seu solo tão árido.

    Será que voltarei a ver meu avô e minhas avós?
    Os tios que por lá deixei,
    Primos desconhecidos.

    Será que ainda irei me banhar lá no pinga água?
    Não, na seca secou,
    E não pinga mais nem uma gota.

    Será que ainda verei,
    Palmas e árvores de favela,
    Tão difíceis de apanhar,
    E as galinhas no mato,
    E as ovelhas e cabras no pasto seco?

    Será que ainda correrei,
    Daquela vaca que eu provocava,
    Quando tentava chegar perto do bezerro?

    Será que ainda verei,
    Meu avô matando cabra,
    Para a fome matar?
    Verei ele lá na roça,
    O sustento plantar?

    Será que ainda sentirei o cheiro dele?
    De cachimbo, pinga, suor e terra.
    E da minha avó,
    De fogão de barro e lenha.

    Ainda verei,
    O burrinho empacar na estrada de areia?
    E na areia as lagartas verdes,
    Lentamente a correr.

    Será que ainda verei,
    Minha avó doentinha?
    Aquela que o médico disse,
    Não haver mais cura.

    Verei a árvore de juá?
    Na frente da casa de Dona Aniza,
    Que medo de cobra tinha.
    E ficava na cadeira de balanço,
    Proseando com vó Edita.

    Verei minhas amigas de infância?
    Aquelas a quem ensinei amarelinha,
    Aquelas que me ensinaram a brincar de roda,
    Que comigo corriam entre arbustos no mato,
    A roubar os ovinhos dos passarinhos.

    Será que ainda verei o centro da cidade?
    Onde todo domingo,
    Minha avó me levava para tomar sorvete.

    Verei os ônibus de viagem,
    Levando o povo para outra cidade,
    Com aperto e saudade,
    Por deixar a terra amada.

    Talvez eu vá embora,
    E verei olhos que choram,
    E mãos acenando,
    Dando-me adeus.

    Talvez eu volte,
    Com saudades no peito,
    E uma vontade veloz,
    De ali plantar minha vida,
    De ali rever minha família.

    Essa foto tirei da janela do ônibus no dia de nossa partida,
    ela resume bem o penúltimo verso do meu poema,
    "Talvez eu vá embora,
    E verei olhos que choram,
    E mãos acenando,
    Dando-me adeus."
    Espero que tenham gostado desse post, pois fiz com muito carinho, falar da minha família nem sempre é fácil pra mim, mais eu amo contar a minha história e tenho orgulho das minhas raízes nordestinas.

    Até o próximo!

    A Dor

    "Josielma Ramos"

    Cada poema que escrevo é dor...
    Cada palavra que escrevo é dor...
    Dói segurar a caneta,
    E as vezes um erro é cometido.

    Mais então porque continuo a escrever?
    Porque continuar com essa tragédia?
    Porque essa dor é o que me faz viva,
    E essa dor você nunca vai entender!

    Voltei com muitas saudades e uma mala de histórias para contar!

    Duas semanas depois e quase perdendo o avião na ida finalmente cheguei em casa, realizei um sonho de criança que era visitar o Piauí terra em que nasci, mais nunca morei pois vim morar em São Paulo com 1 ano de idade, essas duas semanas foram incrivelmente compensadoras, conheci familiares que não conhecia, revi amigos que só tinha visto a 13 anos atrás, fiquei perto de animais, perto da natureza e até mais perto de Deus, dizem que o nordeste é seco sem vida, um lugar esquecido por Deus, mais é onde as pessoas são mais simples e apegadas a ele, aqui em São Paulo temos tudo, temos luxo e não agradecemos o bastante, lá no nordeste por mais seco que seja a vida insiste em fluir, tenho muita coisa pra contar e apenas um post não vai caber tudo que quero contar, então aguardem que até a próxima semana contarei tudo sobre a viagem, sobre os incidentes, sobre meus pais terem deixado suas malas pra trás por causa do trânsito de São Paulo na ida e sobre termos perdido o avião na volta e termos que voltar de ônibus rsrss, 3 dias de viagem mais serviu para nos reaproximar mais, então é isso galera aguardem pelos próximos posts, vou deixar aqui algumas fotos da minha viagem, espero que gostem.












     
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